Ataque russo a Kiev intensifica tensões enquanto negociações de paz seguem travadas
Na madrugada desta quinta-feira, 24 de abril, a capital da Ucrânia, Kiev, foi alvo de um violento bombardeio russo, com aproximadamente 70 mísseis e 150 drones lançados contra a cidade.
A ofensiva deixou um saldo trágico de nove mortos e mais de 70 feridos, atingindo principalmente áreas residenciais. O ataque ocorre em um momento de crescente impasse nas negociações para um cessar-fogo, ampliando as incertezas sobre o futuro do conflito que já dura mais de três anos.
Horas antes do bombardeio, o presidente americano, expressou publicamente sua frustração com o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky. Trump criticou a resistência de Zelensky a uma proposta americana que, segundo fontes, envolve concessões territoriais, incluindo o reconhecimento da soberania russa sobre a Crimeia, anexada por Moscou em 2014.
A proposta também preveria garantias de neutralidade da Ucrânia em relação à Otan, uma exigência frequente do Kremlin para assegurar distância e manter a segurança. Zelensky, por sua vez, defendeu a soberania nacional, afirmando que ceder territórios violaria a constituição ucraniana e os princípios de seu povo.
O bombardeio em Kiev, um dos mais intensos dos últimos meses, parece reforçar a percepção de que a Rússia busca pressionar a Ucrânia militarmente enquanto as conversas diplomáticas patinam.
Autoridades ucranianas, incluindo o chefe de gabinete de Zelensky, Andrii Iermak, condenaram a ação, acusando o presidente russo, Vladimir Putin, de priorizar a destruição em vez de buscar a paz. “Esses ataques são uma demonstração clara de que Putin não está interessado em negociações sérias”, declarou Iermak em comunicado.
Do outro lado, o Kremlin afirmou que os ataques foram uma resposta a supostas violações ucranianas de acordos prévios, incluindo um cessar-fogo temporário no Mar Negro.
O porta-voz Dmitry Peskov descreveu as negociações com os EUA como “complexas”, mas insistiu que a Rússia permanece aberta ao diálogo, desde que suas condições sejam atendidas, e a Rússia parece não aceitar condições ucranianas.
Enquanto isso, a comunidade internacional observa com preocupação, líderes europeus, como o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e o presidente francês Emmanuel Macron, intensificaram esforços para propor uma força de segurança multinacional que garanta a proteção da Ucrânia em um eventual acordo de paz.
No entanto, a suspensão da ajuda militar americana, anunciada por Trump no início de março, levanta dúvidas sobre o papel dos Estados Unidos no conflito. A decisão, que seguiu um confronto público entre Trump e Zelensky, foi vista como uma tentativa de pressionar Kiev a aceitar termos mais favoráveis à Rússia.
Para os moradores de Kiev, o cotidiano é marcado pela resiliência em meio ao medo. “Vivemos com sirenes e explosões, mas não podemos desistir”, disse Olena, uma professora de 38 anos, enquanto ajudava a limpar destroços em seu bairro. A capital, que já foi palco de intensos combates no início da guerra, enfrenta agora o desafio de manter a esperança em meio a um conflito que parece longe de um desfecho.
As próximas semanas serão cruciais, Trump sinalizou que pode abandonar os esforços de mediação caso não haja progresso imediato, enquanto Zelensky insiste que qualquer acordo deve respeitar a integridade territorial da Ucrânia. Com a escalada da violência e a falta de consenso, o caminho para a paz permanece incerto, e o custo humano continua a crescer.
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